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Café na Gravidez: Posso tomar? Há Riscos?

A alimentação tem impacto direto no funcionamento do organismo e no metabolismo de suas funções, principalmente durante a gravidez. Sendo assim, cuidar da dieta neste período é essencial para garantir a saúde da mamãe e do bebê. Para tanto, alguns alimentos e substâncias devem ser evitados. Alimentos gordurosos, crus e ultra processados, açúcares e adoçantes, sal, substâncias químicas como fumo e álcool, são alguns exemplos. Mas e o café na gravidez, faz mal?

A polêmica que envolve o tão adorado cafezinho está relacionada à cafeína presente na bebida. Pois esta é uma substância que em doses elevadas pode afetar a saúde da gestante e do feto, aumentando as chances de aborto ou de parto prematuro.

Por outro lado, pesquisadores americanos do American College of Obstetricians and Gynecologists afirmam que uma quantidade moderada de café por dia não apresenta perigos. Assim, quem não abre mão do café não precisa desistir do seu consumo, mas apenas moderar, não ultrapassando 200 miligramas de cafeína por dia (350 ml).

Uma alternativa é substituir o café normal pelo descafeinado, lembrando que a cafeína ainda está presente neste último, porém em menor quantidade. Um café expresso curto, por exemplo, tem aproximadamente 64 miligramas de cafeína, dependendo do tipo de grão e produção.

Já outras bebidas como chás e refrigerantes também contêm a substância, sendo que a quantidade em cada uma uma dessas bebidas pode variar. Por isso, a recomendação da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) é não ultrapassar a dose recomendada.

Caso você esteja grávida e não consegue deixar de beber café no seu dia dia, continue lendo o artigo abaixo para saber quando e como o café na gravidez pode ou não fazer mal à você e ao seu bebê. Confira!

Afinal, café na gravidez faz mal à saúde?

Café na gradiez quando consumido em moderação não faz mal à saúde.
Café na gradiez quando consumido em moderação não faz mal à saúde.

A cafeína tem sido estudada há décadas, e nesses anos todos ainda existem muitas controvérsias em torno da substância, sem que haja um consenso sobre a segurança quanto ao seu consumo na gravidez.

O que se sabe é que o consumo de café na gravidez precisa ser moderado, no caso por prudência. Isso porque o excesso de cafeína no organismo da gestante aumenta os riscos de aborto espontâneo, prematuridade ou de o bebê nascer abaixo do peso, emboras as chances disso tudo acontecer serem consideradas muito baixas.

Sendo assim, o recomendável é não ultrapassar 200 mg por dia dessa substância, uma quantidade equivale a, mais ou menos, três cafés expressos ou um copo de 350 ml.

O que dizem as pesquisas e os estudos

Para identificar a ação da cafeína no organismo durante a gravidez, pesquisadores americanos do American College of Obstetricians and Gynecologists conduziram dois estudos que acompanharam mais de 1.000 mulheres grávidas.

O primeiro estudo, foi conduzido pelo The Mount Sinai Medical Center, em Nova York, não encontrando aumento da taxa de aborto para as mulheres que consumiram uma quantidade baixa, moderada ou até alta de cafeína em diferentes épocas da gravidez.

Já o segundo estudo feito pela Kaiser Permanente’s Division of Research, em Oakland, encontrou maior risco de aborto em mulheres que consumiam mais de 200 mg de cafeína por dia, e nenhum outro risco em quem ingeriu menos que essa quantidade.

Mesmo assim, obstetras e ginecologistas advertem para o café na gravidez em excesso. A cafeína presente na bebida contrai os vasos sanguíneos do corpo, podendo prejudicar a circulação útero-fetal, causando aborto ou parto prematuro, mas não apresenta perigo se a quantidade for moderada.

Mas onde mais podemos encontrar cafeína?

Café na gradiez quando consumido em moderação não faz mal à saúde.
O café na gravidez deve ser diminuído, pois a cafeína está presente em muitos outros alimentos.

O café na gravidez não é o único vilão. A verdade é que a cafeína é uma substância alcalóide encontrada em várias partes do cafeeiro (folhas, caule, frutos), mas também em aproximadamente 60 tipos de outras plantas como nas folhas de diversas ervas, noz de cola (Cola acuminata), frutos do guaraná (Paullinia cupana) e no cacau (Theobroma cacao).

Assim, a cafeína encontrada no café, mas também está presente em outros alimentos e em certos medicamentos, como chás (erva-mate, preto e verde), refrigerantes à base de cola e chocolates.

Alguns medicamentos para tratamento de dor, incluindo aqueles para dores de cabeça, resfriados e alergia, também contêm cafeína e podem apresentar interação com vários outros medicamentos causando riscos para quem toma fluconazol, fluoxetina, verapamil, ciprofloxacino entre outros, por exemplo.

Portanto, nunca tome algum remédio durante a gravidez sem antes consultar o seu obstetra, para evitar a interação medicamentosa e riscos de intoxicação.

A quantidade de cafeína em chás e cafés pode variar bastante, dependendo da marca, da maneira como são feitos, mais fortes ou fracos, e do tamanho da xícara em que são servidos. Veja a lista abaixo para ter uma ideia aproximada da proporção de cafeína em algumas bebidas e alimentos:

ItemQuantidadeCafeína
Cafezinho coado240 ml95-200 mg
Cafezinho expresso30 ml40-75 mg
Café instantâneo240 ml27-173 mg
Café descafeinado240 ml2-12 mg
Chá mate240 ml27 mg
Chá gelado (lata)355 ml70 mg
Chá preto (saquinho)240 ml14-61 mg
Chá verde240 ml24-40 mg
Refrigerantes à base de cola (lata)350 ml30-35 mg
Refrigerantes diet/light à base de cola (lata)350 ml45 mg
Refrigerantes à base de guaraná (lata)350 mlmenos de 5 mg
Refrigerantes à base de limão (lata)350 ml0 mg
Bebidas energéticas (lata)250 ml80 mg
Chocolate ao leite50 g20-40 mg
Analgésico com cafeína1 comprimido30-65 mg

Portanto, o café na gravidez não precisa ser totalmente evitado, mas quando outros alimentos e bebidas acima estão inseridos na dieta simultaneamente, é preciso prestar mais atenção e limitar o consumo de todos eles, para evitar ultrapassar a quantidade recomendada diária.

Como a cafeína atua no organismo?

O café na gravidez tem muitos efeitos no organismo.
O café na gravidez tem muitos efeitos no organismo.

Nas plantas, a cafeína atua como uma espécie de pesticida natural, protegendo-as de insetos que se alimentam delas. No corpo humano, a substância tem efeitos estimulantes sobre o sistema nervoso central.

Ela é rapidamente absorvida pelo organismo, atingindo a corrente sanguínea após 40 minutos a 2 horas de seu consumo, podendo ter velocidade de absorção prolongada na presença de alimento no trato gastrointestinal.

Sua metabolização ocorre no fígado pela ação de uma enzima, e seu efeito é rapidamente distribuído pelo corpo devido a sua alta capacidade de atravessar as membranas, inclusive a placentária e a hematoencefálica.

A cafeína tem efeitos de potencialização do estado de alerta e a atenção prolongada, sensação de bem-estar e diminuição da fadiga comprovadas, porém nem todo mundo reage a esses efeitos em seus organismos, por conta de variações nas taxas de metabolização da cafeína pelo fígado.

Nos fumantes, a concentração de cafeína permanece na corrente sanguínea por aproximadamente 2x mais tempo que em não fumantes (média de 6 a 10 horas). Sendo que ela pode também ser excretada pelo leite materno, saliva, bile e sêmen, além da urina.

Há também quem sofra com efeitos indesejáveis como aumento de secreção gástrica e do refluxo gastroesofágico, riscos de aborto, ansiedade, angústia, alterações do sono e apesar de não causar dependência química, abstinência.

Embora casos de intoxicação serem raros, algumas pessoas que não possuem o hábito de ingerir café ou outros alimentos com cafeína, podem apresentar ansiedade, taquicardia, irritação, tremores e inquietação. Casos mais graves e extremamente raros incluem o coma, arritmia e até infartos do miocárdio.

Como a cafeína atua no corpo da mulher grávida

O café na gravidez em excesso pode ter efeitos nocivos à gestante.
O café na gravidez em excesso pode ter efeitos nocivos à gestante.

Já vimos que a cafeína quando ingerida pela mãe é absorvida rapidamente pelo organismo, permanecendo na corrente sanguínea por muito mais tempo quando a mulher está grávida, cerca de três vezes mais, potencializando os seus efeitos.

Dessa forma, a cafeína pode facilmente ser passada para o bebê através da placenta, por isso o café na gravidez ou qualquer outra bebida e alimento que contenha cafeína merece atenção.

Apesar de existirem poucos estudos científicos que analisem a interação da cafeína no organismo da mãe com o desenvolvimento do bebê, pela dificuldade de testes na mulher nessa condição, a recomendação é moderação no consumo durante a gravidez.

O excesso de cafeína no organismo da grávida aumenta a frequência cardíaca e o metabolismo corporal, por isso provoca agitação e dificuldade para dormir.

Além disso, muito café na gravidez também causa uma maior vasoconstrição (diminuição do diâmetro dos vasos sanguíneos), que para as gestantes é problemático porque influencia no desenvolvimento placentário, diminuindo o suprimento de oxigênio e 25% o fluxo placentário de sangue para o feto.

O café em excesso também pode provocar dificuldade na absorção do ferro pelo organismo, nutriente fundamental para a gestante na gravidez para evitar a anemia. Ele também aumenta a secreção gástrica, o refluxo gastroesofágico e a ansiedade, causando problemas digestivos já muito comuns na gravidez.

Por fim, um grande quantidade de cafeína tem efeito diurético, pode provocar dor de cabeça depois de filtrada para fora do seu corpo, aumentar o risco de aborto espontâneo e a probabilidade do bebê nascer antes do tempo ou com baixo peso.

Leia mais: Como Emagrecer na Gravidez de Forma Saudável?

Como a cafeína atua no feto

O café na gravidez em excesso traz consequências mais graves ao feto.
O café na gravidez em excesso traz consequências mais graves ao feto.

Por conta de todos esses efeitos no organismo da mãe, as consequências para o feto são bem mais graves. Ao ingerir o café na gravidez em excesso, a cafeína atravessa a placenta e atinge o líquido amniótico, chegando a corrente sanguínea do bebê.

Como o organismo do feto ainda é imaturo, o fígado ainda não está completamente formado, e tem mais dificuldade para metabolizar e eliminar a substância, impactando muito o desenvolvimento do bebê.

O consumo de café na gravidez também pode aumentar a frequência cardíaca do bebê e, em alguns casos, provocar arritmias.

Quando consumido em grandes quantidades, pode levar à síndrome de abstinência, similar à qualquer droga. Portanto, além de diminuir o consumo durante todo o período da gravidez, evitar o café na gravidez no primeiro trimestre, é fundamental.

Leia mais: Sintomas de Gravidez nos Primeiros Dias de Fecundação!

Dicas para diminuir o consumo de café

Você pode diminuir o consumo de café na gravidez aos poucos para evitar os sintomas de abstinência.
Você pode diminuir o consumo de café na gravidez aos poucos para evitar os sintomas de abstinência.

Quem tem o hábito de consumir café e ingerir muitos alimentos ricos em cafeína podem ter maiores dificuldades para diminuir essa quantidade, principalmente por conta dos devem sintomas de abstinência nos primeiros dias.

Em alguns casos, é possível que o próprio organismo se encarregue disso de resolver a falta de cafeína, alterando o paladar no primeiro trimestre da gestação, provocando até náuseas ao sentir o gosto do café na gravidez.

Os sintomas de abstinência mais comuns neste caso são fraqueza, tontura, fadiga e dor de cabeça. Caso a natureza não facilitar, a melhor maneira de amenizar essas reações é ir diminuindo o consumo do café na gravidez aos poucos, assim como outros alimentos com cafeína.

Veja como fazer isso através de algumas dicas a seguir:

  • Comece eliminando meia xícara por dia;
  • Reduza gradualmente a quantidade de cafés ao longo do dia, assim como a quantidade de pó para fazê-lo;
  • Opte pelo café expresso ou instantâneo ao invés de coado, quanto mais o pó tiver em contato com a água por mais tempo, mais cafeína é liberada;
  • Substitua o café normal pelo descafeinado, que tem menor cafeína;
  • Diminua a quantidade de cafeína no chá, deixando o saquinho por menos tempo imerso na água quente;
  • Substitua o chá mate, preto ou verde por ervas como camomila, erva cidreira e hortelã ou chás caseiros à base de mel, limão ou de casca de laranja;
  • Evite o consumo de refrigerante, pois além do açúcar em excesso, acidificam o sangue e interferem na absorção do cálcio, importante para o crescimento dos ossos. Além disso, refrigerantes possuem benzeno (substância cancerígena) e corante amarelo tartrazina, que está associado a alergias respiratórias;
  • Prefira substituir os refrigerantes por água com gás ou de limão, que não contém cafeína;
  • Diminua também gradualmente a quantidade de chocolate consumida ao longo do dia;
  • Evite as bebidas energéticas, que contêm doses altas de cafeína.

Agora que você já sabe que o café na gravidez em excesso pode trazer riscos à sua saúde e do seu bebê, vai poder evitá-lo ou diminuí-lo conforme a sua necessidade, sem medo. Tenha uma excelente gestação e um bom parto!

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