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Banho de Sol em Recém Nascido: O Guia Completo!

Antigamente, era muito comum os pediatras recomendarem banho de sol em recém nascido. No entanto, de acordo com as mais recentes recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o banho de sol agora está restrito apenas aos bebês com icterícia neonatal – uma doença muito comum entre os recém nascidos.

Para quem nunca ouviu falar, a icterícia neonatal é um desequilíbrio de pigmentos no organismo que deixa a pele e os olhos dos bebês amarelados e que tem como principal tratamento o banho de luz ou os banhos de sol.

Segundo a SBP, bebês saudáveis devem evitar a exposição solar direta antes dos 6 meses de idade, sendo a mesma limitada nas demais crianças, devido aos riscos mais altos ao câncer de pele.

Mas se o banho de sol em recém nascido é perigoso, o que fazer no caso da icterícia? Bem, neste caso, o banho de sol é parte do tratamento e deve ser feito através de acompanhamento médico nos primeiros dias de vida e em casa com alguns cuidados e precauções para garantir a segurança do bebê.

Então, para que não fiquem dúvidas, vamos esclarecer neste artigo quando o banho de sol em recém nascido é recomendado, quais são os seus benefícios e que cuidados devemos tomar para que os bebês se mantenham saudáveis e seguros no dia-a-dia.

Confira!

O que é Icterícia Neonatal

banho de sol em recem nascido: icterícia neonatal
A icterícia neonatal é causada por distúrbios do fígado.

A icterícia é uma condição que deixa a pele e a parte branca dos olhos do recém nascido amareladas devido a um aumento da concentração de bilirrubina na corrente sanguínea (hiperbilirrubinemia) dele.

A bilirrubina é uma substância de pigmentação amarela produzida pelo nosso próprio organismo e armazenada nos glóbulos vermelhos do sangue. Ela é formada quando a hemoglobina (a parte dos glóbulos vermelhos que transporta oxigênio) é decomposta durante o processo normal de reciclagem dos glóbulos vermelhos.

Quando liberada, a bilirrubina é levada pela corrente sanguínea até o fígado e utilizada no processo de metabolização da gordura.

Normalmente, após ser utilizada pelo fígado, ela é excretada junto da bile (o líquido digestivo fabricado pelo fígado) através dos dutos biliares até o intestino delgado (duodeno), onde será depois eliminada pela urina e as fezes.

Caso o fígado não consiga fazer todo esse processo rapidamente, a bilirrubina acaba se acumulando no sangue. No caso dos bebês recém nascidos, como as suas funções hepáticas ainda não estão totalmente desenvolvidas, a bilirrubina acumula na corrente sanguínea deixando o bebê amarelado.

À medida que a bilirrubina vai aumentando no sangue, o branco dos olhos já fica amarelo, e em seguida, a pele da face e do corpo. Isso costuma acontecer a partir primeira semana de vida, mais provavelmente no terceiro dia, chegando a 60% de incidência.

Tipos de icterícia

Há dois tipos de icterícia, a icterícia patológica, que surge nas primeiras 24 horas após o nascimento devida a distúrbios associados, trazendo níveis mais altos de bilirrubina e precisando de tratamento imediato; e a icterícia fisiológica, que é mais leve, com níveis de bilirrubina menores e que não precisa de tratamento, pois costuma desaparecer em cerca de 10 a 15 dias.

A icterícia é ainda mais comum entre bebês prematuros, e nestes casos os bebês costumam ficar nas incubadoras em observação na maternidade, para que o pediatra possa analisar e acompanhar o quadro de perto e deixar que ele vá para casa saudável.

No caso da icterícia leve (fisiológica), o bebê apresenta os olhos, o rosto e o tórax amarelados. Já em casos mais intensos ou patológicos, a pele amarelada se estende às pernas e aos pés do bebê. No entanto, se a icterícia for diagnosticada e tratada rapidamente, não irá apresentar riscos ao bebê.

Causas comuns da icterícia

As causas da icterícia neonatal podem ser várias mas o banho de sol em recém nascido pode curar.
As causas da icterícia neonatal podem ser várias mas o banho de sol em recém nascido pode curar.

Já vimos que há dois tipos de icterícias que podem ter causas diferentes. No caso da icterícia fisiológica (mais comum), ela pode ser causada por dois motivos diferentes.

Primeiro por decompor os os glóbulos vermelhos mais rapidamente, resultando no aumento da produção de bilirrubina.

Depois por não ter o fígado completamente amadurecido para desempenhar suas funções adequadamente, como processar a bilirrubina e eliminá-la do organismo.

A icterícia patológica, por exemplo, pode vir associada a outras condições e distúrbios como a icterícia associada à amamentação ou do do leite materno e por decomposição excessiva de glóbulos vermelhos, conhecida por hemólise.

Icterícia associada à amamentação

A icterícia associada à amamentação costuma ocorrer nas duas primeiras semanas de vida e se resolver em uma semana. Isso acontece quando os recém-nascidos não consomem leite materno suficiente, evacuando menos e, assim, eliminando menos bilirrubina. À medida que vão sendo amamentados, a icterícia desaparece por conta própria.

Icterícia do leite materno

A icterícia do leite materno ocorre mais próximo do final da primeira semana de vida, podendo desaparecer até a segunda semana de vida ou persistir por vários meses. Ela é causada por substâncias contidas no leite materno que interferem no processo de eliminação da bilirrubina do organismo pelo fígado.

Leia também: Como Manter o Leite Materno Urgente e Natural!</a>

Icterícia por hemólise

A hemólise é caracterizada pela decomposição excessiva de glóbulos vermelhos que pode sobrecarregar o fígado do recém-nascido com essa quantidade maior do que ele pode processar. Ela pode ter várias causas, dependendo da doença imunológica ou não imunológica causadora.

As doenças imunológicas causam hemólise quando há uma incompatibilidade sanguínea do bebê com a mãe ou por incompatibilidade de Rh, desencadeando uma disparidade entre os tipos sanguíneos fazendo com que o organismo do bebê destrua uma quantidade muito maior de glóbulos vermelhos.

Causas não imunológicas incluem a deficiência hereditária da enzima dos glóbulos vermelhos glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) e doenças hereditárias dos glóbulos vermelhos, como a talassemia.

Causas menos comuns de icterícia

Além das causas acima, a icterícia também pode ser causada por condições menos comuns, como por exemplo:

  • Infecções bacterianas graves (sepse), adquiridas durante ou logo após o nascimento (toxoplasmose e infecções por citomegalovírus, pelo vírus do herpes simples ou da rubéola);
  • Glândula tireoide com baixa atividade (hipotireoidismo);
  • Hipoatividade da hipófise (hipopituitarismo);
  • Determinadas doenças hereditárias (fibrose cística, síndrome de Dubin-Johnson, síndrome de Rotor, síndrome de Crigler-Najjar e síndrome de Gilbert);
  • Obstrução do fluxo de bile do fígado.

Complicações da icterícia

Como vimos, a icterícia mais comum e mais leve que existe é a fisiológica, que costuma desaparecer em algumas semanas, sem tratamento.

No entanto, a icterícia será perigosa ou não dependendo da sua causa, sendo que alguns distúrbios que causam icterícia são perigosos independentemente da quantidade de bilirrubina.

Por isso, o seu tratamento é fundamental e deve ser imediato, pois uma concentração extremamente elevada de bilirrubina, independentemente da causa, é perigosa.

Uma das suas complicações mais graves é o querníctero, uma lesão cerebral pelo acúmulo de bilirrubina no cérebro que sem tratamento pode levar a atraso no desenvolvimento, paralisia cerebral, perda da audição, convulsões e até mesmo morte.

Embora o distúrbio seja raro, ele costuma ocorrer com mais frequência em recém-nascidos prematuros, que estão gravemente doentes ou que estão recebendo determinados medicamentos.

No entanto, o querníctero pode ser prevenido mediante um diagnóstico precoce e tratamento, porém depois que os danos cerebrais ocorrem, não há como revertê-los.

O que fazer em caso de icterícia?

O banho de sol em recém nascido não é mais recomendado.
O banho de sol em recém nascido não é mais recomendado.

Em caso de icterícia, o médico faz um diagnóstico rápido com um exame físico realizado no corpo do bebê através da palpação com o dedo na testa da criança.

Caso a pele da região ficar amarela, o médico realiza um exame de sangue para um diagnóstico preciso dos níveis de bilirrubina no sangue.

Se a icterícia for leve, alguns minutos na incubadora podem resolver, podendo ser administrado também um banho de sol em recém nascido em casa, pois ela desaparece em poucos dias.

Caso o bebê apresentar sintomas de icterícia patológica, com diversas áreas do corpo amareladas, principalmente nas perninhas e pés, o tratamento deve ser imediato, sendo o mais comum a fototerapia, que consiste em submeter o bebê pelado a luzes incandescentes, fluorescentes ou de LED, ou seja, o “banho de luz”.

O que é o banho de luz?

O banho de luz é a exposição do bebê a uma fonte luminosa, podendo ser solar (banho de sol em recém nascido) ou artificial (fototerapia).

O banho de luz, quando realizado artificialmente, é feito por meio de aparelhos de fototerapia, específicos para o tratamento da icterícia neonatal, através de luzes emitidas por lâmpadas incandescentes, fluorescentes ou de LED.

As ondas de luz transformam a bilirrubina em moléculas mais fáceis de serem eliminadas sem precisar sobrecarregar o fígado do bebê. Dependendo da intensidade da icterícia, o tratamento pode levar de 7 a 10 dias, seguindo com a amamentação normal.

Entretanto, o banho de luz também pode ser feito através do banho de sol em recém nascido natural através dos raios solares. O problema, é que de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), essa prática não é mais recomendada, e precisa ser feita com muita cautela e sob cuidados.

Banho de sol em recém nascido: É mesmo necessário?

O banho de sol em recém nascido não é necessário mas a suplementação com vitamina D é preciso.
O banho de sol em recém nascido não é necessário mas a suplementação com vitamina D é preciso.

O banho de sol em recém nascido sempre foi muito recomendado pelos médicos, pois os raios solares são essenciais para a ativação da vitamina D, absorvida através do leite materno durante a amamentação, e importante para a calcificação óssea e a prevenção do raquitismo infantil.

Se você amamenta, o bebê já recebe uma quantidade suficiente de vitamina D. Caso o bebê esteja sendo alimentado por fórmula artificial, o pediatra pode prescrever uma suplementação de vitamina D.

No entanto, para que o organismo do bebê possa sintetizar a vitamina D, a exposição solar é necessária. O banho de sol em recém nascido também ajuda a eliminar o excesso de bilirrubina no sangue, evitando a icterícia neonatal.

Porém, quando o bebê nasce com icterícia, ele deve receber os banhos de luz no hospital para que os níveis de bilirrubina sejam controlados pela equipe médica. Só então, depois de controlada e eliminada, é que o bebê recebe alta e não está mais em risco.

Embora a radiação solar seja capaz de diminuir a icterícia e ajudar na síntese de vitamina D, a pele do bebê recém nascido ainda é muito sensível e algumas outras radiações emitidas pelo sol podem provocar queimaduras.

Como os bebês com menos de 6 meses também não podem usar protetores solares com o risco de causar alergias, a prática do banho de sol em recém nascido, fica comprometida.

Por esta razão, o banho de sol em recém nascido não é o mais indicado pelos pediatras. Até porque, a icterícia costuma desaparecer em poucos dias, e a amamentação também é capaz de diminuí-la.

Mas e a vitamina D?

Ok, a icterícia não é um risco, mas e a importância da vitamina D? Sabemos que a vitamina D é muito importante, pois quando ela é ativada no organismo, auxilia na absorção do cálcio presente no leite, essencial para os ossos e dentes.

De acordo com as novas orientações da SBP, a suplementação da vitamina D deve ter início ainda na gestação e continuar após o nascimento do bebê, a fim de garantir que uma quantidade suficiente de vitamina D atinja a placenta e forneça o necessário ao bebê, principalmente no terceiro trimestre gestacional.

Após o nascimento, recomenda-se suplementar vitamina D logo após o nascimento, mantendo-se até os 2 anos de idade. Esta suplementação oral da vitamina D substitui a exposição ao sol para a produção da vitamina. Sendo assim, o banho de sol em recém nascido não é mais tão necessário como antigamente.

Benefícios do banho de sol

O sol pode ser perigoso se não seguirmos as recomendações necessárias para garantir a saúde da pele do bebê. Mas ele também traz muitos benefícios.

  • Ajuda na síntese de vitamina D;
  • Ajuda no fortalecimento da saúde do bebê pela energização das células T, responsáveis por fortalecer o sistema imunológico;
  • Ajuda na produção da serotonina e endorfinas no organismo que proporcionam sensações de bem estar ao bebê;
  • Ajuda a produzir o hormônio melatonina, que promove a qualidade e regulação do sono do bebê;
  • Ajuda no bom funcionamento do fígado, diminuindo a ação de toxinas no organismo;
    combate a icterícia.

Leia mais: Como fazer o bebê dormir a noite toda: Guia completo de 0 meses a 1 ano!

Como dar banho de sol em recém nascido?

É preciso saber dar banho de sol em recém nascido de forma adequada.
É preciso saber dar banho de sol em recém nascido de forma adequada.

Apesar do banho de sol em recém nascido não ser mais recomendado, muito pediatra e muita mamãe ainda têm esse hábito.

Assim, para usufruir de todos os seus benefícios sem nenhum risco à saúde, o banho de sol em recém nascido deve ser evitado em exposição direta antes dos 6 meses de idade, após essa idade é só limitar seguindo os demais cuidados:

1 – Respeite os horários recomendados:

O banho de sol em recém nascido deve ser feito em horários em que a radiação solar é menos agressiva, ou seja, antes das 10 horas da manhã ou após as 16 horas, sendo as primeiras horas da manhã as mais indicadas.

2 – Não ultrapasse o tempo:

O banho de sol em recém nascido não deve exceder 10 minutos, principalmente em dias muito quentes. O ideal é deixar o bebê exposto 5 minutos de barriga para cima e 5 de barriga para baixo.

3 – Vista roupas apropriadas:

As roupas para o banho de sol em recém nascido devem ser de acordo com o clima. Assim, no verão, opte por roupas mais leves que deixem algumas partes expostas ao raios solares ou só de fraldas. Já no inverno ou dias mais frios, deixe ele mais coberto com apenas pernas ou braços descobertos e evite as correntes de ar e ventos fortes.

4 – Proteja a cabeça e os olhos:

Já que os bebês antes dos 6 meses não podem recorrer ao protetor solar, procure proteger a cabecinha com um chapéu ou boné, ou uma fralda que também protege os olhos do bebê do excesso de luz.

5 – Alivie o calor do corpo:

Caso esteja muito calor no dia do banho de sol em recém nascido, experimente dar um banho de balde ou banheira no bebê após a exposição ao sol, isso vai esfriar a temperatura corporal dele, retirar o suor e ainda ajudar a relaxar.

6 – Redobre os cuidados:

Mesmo com toda proteção, redobre os cuidados, pois a pele sensível do bebê pode sofrer com os efeitos indesejados dos raios solares e do calor e ter reações alérgicas, como brotoejas (dermatites) e ficar avermelhada. Caso aocnteça, procure o seu pediatra.

Lembre-se: A Sociedade Brasileira de Pediatria adverte, a exposição frequente ao sol sem a proteção apropriada contribui para o envelhecimento precoce, aumenta o risco de câncer de pele na vida adulta e o surgimento de catarata.

Referências externas:

SBD – Sociedade Brasileira de Pediatria (“Filhos – Da gravidez aos 2 anos de idade.”)
MSD Manuals

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