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Alergia a Camisinha: Sintomas, o que fazer

Geralmente leva um percurso mais longo para se descobrir alergia a camisinha. Pois se o desconforto surge durante o ato sexual, é comum que o alérgico pense que se trata da consequência do contato ou até de má colocação do preservativo.

Se nota desconforto depois da relação sexual, onde os sintomas de alergia a camisinha surgem com mais frequência, a preocupação inicial é o de ter contraído alguma Doença Sexualmente Transmissível (DST), seja por ter se descuidado em ocasião passada não fazendo uso do preservativo ou por suspeita que tenha adquirido uma unidade do produto com defeito de fabricação.

Não é de estranhar esses pensamentos em um primeiro momento, porque alergia a camisinha é, de fato, muito raro de ocorrer. Algo em torno de 1% da população é alérgica ao material e por isso não se ouve falar com muita frequência sobre esse problema. Muitos nem sequer suspeitam que seja possível alguém ser alérgico a camisinha.

E movidos pelo desconhecimento e pelas preocupações típicas ao sentir algo de incomum durante ou após o sexo, costuma-se procurar os centros médicos para fazer exames e tirar as dúvidas, onde o médico acaba identificando a causa após alguns testes e análises.

No entanto, até a descoberta da causa do desconforto, considerável tempo pode passar e os sintomas somente se agravarem, uma vez que a pessoa não está ciente do que lhe causa a reação alérgica.

O risco é se for o caso de alergia tipo 1, onde a reação é imediata e pode gerar reação que se não tratada, pode gerar consequências gravíssimas, necessitando de internação hospitalar.

Mas como identificar uma alergia a camisinha, quais são os tipos de alergias possíveis, quais os exames que precisam ser feitos para diagnosticar o problema e quais seriam a alternativa ao se confirmar que o preservativo é a causa do desconforto?

Tire todas essas dúvidas sobre alergia a camisinha a seguir.

Os sintomas

Para se verificar se é plausível a hipótese de alergia a camisinha ao se deparar com situação de desconforto na parte íntima antes ou depois do ato sexual, é preciso avaliar os sintomas.

Os sintomas comuns de alergia a camisinha são:

  • Vermelhidão;
  • Coceira;
  • Ardor;
  • Feridas;
  • Dor na genitália.

Esses sintomas podem surgir de forma conjunta ou isoladamente e podem ocorrer durante ou depois do sexo.

Esses são os sintomas da reação tida como mais amena, tipo 4. A mais perigosa é a do tipo 1 que pode provocar as seguintes reações quando a pele entra em contato com a camisinha:

  • Rinite asmática;
  • Choque anafilático.

Como apontado de começo, o mais comum é que os sintomas surjam em momento posterior a prática sexual.

Tempo de reação

O tempo de reação varia, mas os primeiros sinais de alergia a camisinha podem ocorrer após 5 minutos de contato com o preservativo. As feridas decorrentes da reação alérgica levam o tempo de até 60 minutos para aparecerem.

Os testes

Mesmo com a apresentação desses sintomas, avaliar que se trata de alergia a camisinha é uma conclusão precoce diante do fato de ser uma ocorrência rara e que atinge um extrato muito pequeno da população, como dissemos, cerca de 1%.

É preciso ter ciência que não é a camisinha em si que pode causar uma reação contrária no organismo, mas um dos materiais que a compõem, o látex.

O látex é usado para a fabricação de preservativos desde os anos 1980, por ser um material resistente e flexível e por isso capaz de ser esticado sem comprometer a sua estrutura, ideal para proteger os cidadãos de Doenças Sexualmente Transmissíveis e fornecer um recurso anticontraceptivo para impedir gravidez indesejada. Esse material também é utilizado para a fabricação de balões e luvas hospitalares.

Contudo, não é o único material que compõe os preservativos que são distribuídos e comercializados atualmente. Há uma infinidade de variações, modelos, marcas e todos oferecendo atrativos diferentes para conquistar a preferência do público, nada mais natural em um mercado capitalista.

Dessa forma, é fácil encontrar versões que apresentem como diferenciais lubrificação extra, substâncias que provocam sensação corporal diversa, como frio ou calor, pigmentação diferente e diversos tipos de odores, geralmente baseados na essência de alguma fruta.

É natural que diante desse mix de elementos sinta-se algum desconforto com a camisinha e não significa que seja necessariamente uma alergia ao látex, pode ser um incômodo em relação a outro tipo de propriedade, bastando apenas trocar o modelo de camisinha para que o problema seja sanado.

Esse é o primeiro teste a se fazer para considerar a suspeita de alergia a camisinha uma possibilidade real. Se, mesmo com a troca, o desconforto persistir, há ainda outro teste possível de se fazer para chegar a uma resposta mais conclusiva antes de se dirigir ao médico, isto, claro, se não tiver suspeita de um descuido anterior e se a reação que estiver enfrentando não for extremamente incapacitadora.

É um teste de pele. Pegue uma camisinha comum, básica, sem qualquer tipo de corante ou outra substância fora do padrão.

Corte dois pedaços do preservativo e cole no braço, com um esparadrapo, uma das partes de modo que o pedaço lubrificado fique com contato direto com a pele.

Cole o outro pedaço do mesmo modo, mas respeitando uma distância de dois dedos, no mínimo. O lado sem lubrificação dessa segunda parte deve ficar colado na pele. Deixe os pedaços no corpo por pelo menos 48 horas.

Se, ao tirar os pedaços, após aguardar esse intervalo, notar que a região do braço que ficou em contato com a parte sem lubrificante apresenta irritação, é a evidência de que precisa para considerar seriamente o caso de alergia a camisinha e o passo a seguir é se dirigir a um médico para confirmar.

A desculpa do sexo sem camisinha

Há ainda outro teste que pode ser feito e que é a primeira escolha de muitos, que é fazer sexo sem camisinha. É a opção, como deve desconfiar, mais arriscada.

Infelizmente, esse teste de alergia a camisinha acaba se tornando uma desculpa para o sexo sem proteção, que acaba proporcionando muitos problemas, sendo vários deles insolúveis.

O teste de alergia a camisinha acaba se tornando uma desculpa para justificar o sexo sem preservativo quando se percebe que as reações cessam ao não utilizar o produto durante a relação sexual.

Identificando o problema do desconforto e não conhecendo uma alternativa que substitua a camisinha como forma de prevenção de doenças e gravidez não planejada, ocorre de muitas pessoas se persuadirem de que é melhor o sexo sem camisinha por lhes garantir mais satisfação e melhor desempenho, sem os quais não poderiam usufruir de uma boa qualidade de vida.

No entanto, como demonstrado, identificar uma reação alérgica ao ter contato com uma camisinha não significa que seja o caso de ser alérgico ao material principal que a compõe, o látex, mas sim de outra substância que pode ser retirada ou trocada ao se optar por modelo diferente.

E ainda que de fato seja diagnosticado que a alergia a camisinha venha do látex, o diagnóstico não dá carta branca para o sexo sem proteção.

Atendo-se somente ao HIV, estima-se que, em 2017, segundo dados reunidos pela UNAIDS, cerca de 36,9 milhões de pessoas no mundo viviam com HIV. No Brasil, é difícil contar com dados precisos sobre HIV e outras DSTs, porque apenas os casos de HIV e sífilis em gestantes e recém-nascidos são registrados no Ministério da Saúde.

Mas avaliando uma estatística da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, tem-se a dimensão de como esse gênero de moléstia vem aumentando nos últimos anos no país. Os casos de ocorrências de sífilis no estado cresceram 603% nos últimos 6 anos. Situação semelhante nota-se em outras regiões como Acre, Pernambuco e Paraná. Nesses estados, o salto foi de 96%,1%, 94,4% e 63,1%, respectivamente.

Ou seja, é um problema sério, atual e que vem em uma crescente assustadora. Não se pode tratar o assunto de forma irresponsável e arriscar-se sem necessidade.

Mas qual seria a alternativa para quem é diagnosticado com alergia a camisinha? O sexo deverá ser evitado?

Não. Há alternativas que podem substituir o uso do preservativo e garantir os mesmos benefícios. Falaremos dessas alternativas mais adiante.

Primeiro, deve-se verificar se o seu caso é mesmo de alergia a camisinha. Após fazer os testes de troca e de pele, deverá ir ao médico a fim de fazer exames específicos para verificar a existência ou não de um quadro alérgico decorrente do contato com o látex.

Os exames

Se a reação alérgica for a do tipo menos intensa, a do tipo 4, que causa dor e vermelhidão no local, o médico pode colher indícios através de contato visual de que a causa do desconforto seja alergia a camisinha. Mas, para certificar-se dessa suspeita, irá fazer um teste prático e outro aprofundado.

O prático consiste em expor a pele do paciente ao possível material que causa a alergia, o látex, lembrando que as luvas hospitalares são feitas desse material, e verificar se há reação adversa na pele. Esse teste é feito da seguinte maneira:

  • Corta-se um dedo de uma luva hospitalar;
  • Esse dedo irá “encapar” o dedo do paciente;
  • Esse contato de pele e látex se manterá por pelo menos 30 minutos.

Se, passados 30 minutos, o resultado for negativo, isto é, não surgir indícios de alergia na pele, será feito um novo teste, mas agora com a luva toda sobre a mão.

A questão do dedo é uma medida de precaução, pois pode ocorrer o caso do paciente ter alergia tipo 1, a mais grave e de efeitos imediatos, então é prudente não expô-lo tão fortemente a um possível fator alérgico.

Passado o primeiro teste, aumenta-se a exposição no segundo para ter dado mais concreto quanto a alergia a camisinha.

O exame mais aprofundado é o de sangue, que verificará a dosagem de anticorpos presentes.

Outros indícios que podem indicar que a pessoa seja alérgica a látex é se também relatar casos de alergia ao consumir determinados alimentos, como tomate, kiwi, abacate, noz, banana, figo, mamão papaia, pois é comum que os alérgicos ao material também tenham reação a esses alimentos e também a pelo de animais, poeira e pólen.

Detalhe que os indivíduos que desde sempre apresentam alergia a esses alimentos e restos inorgânicos podem vir a desenvolver a alergia ao látex posteriormente – não que seja algo exato ou infalível que venha a ocorrer, mas as chances são maiores.

Por isso, é provável que o médico lhe faça uma série de perguntas para verificar se há mais elementos que venham a reforçar a suspeita de alergia a camisinha.

Tenho alergia a camisinha. E agora?

O que fazer se, depois de ter identificado os sintomas, ter feito os testes, ter se dirigido a um hospital, ter feito outros testes, for constatado realmente uma alergia a camisinha? O que fazer? Terá que dizer adeus ao sexo seguro? Será recomendado que não tenha vida sexual ativa?

Nada disso. Sua vida continuará a mesma, só terá que tomar algumas precauções, abrir mais o bolso e bater mais perna por aí para continuar no sempre recomendável sexo seguro.

Existem camisinhas que não são feitas de látex, que são feitas à base de poliuretano, o caso das camisinhas femininas. Essas são mais difíceis de encontrar em farmácias e por isso também são mais caras do que as camisinhas produzidas em látex, mas existem e são tão eficazes e seguras quanto as tradicionais.

Alguns questionam que o poliuretano não é tão resistente quanto o modelo mais popular, mas se utilizar o material da forma recomendada, apresenta a mesma eficácia.

Outra opção para os que têm alergia a camisinha é o uso de medicação como corticosteroide e anti-histamínicos.

Pessoas mais suscetíveis a desenvolver a alergia

Pessoas que trabalham na área da saúde são mais propensas a desenvolver alergia por mexerem diariamente, e por longas horas, com luvas constituídas desse material. O mesmo para todas as profissões que precisam utilizar essa espécie de luva, como cozinheiros, jardineiros, cabeleireiros etc.

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