18 jul - 2013

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A garota mais corajosa do mundo

A garota mais corajosa do mundo

Em um mundo onde a maldade e o egoísmo, muitas vezes, parecem imperar, é sempre bom contar histórias de pessoas íntegras e inspiradoras. Essa é uma delas, sobre a vida de uma pequena representante do sexo feminino, que está à altura de qualquer super-herói. A jovem paquistanesa, Malala Yusufzai, foi novamente manchete de jornais na última sexta-feira (12), ao fazer seu primeiro discurso após sofrer um atentado que quase tirou sua vida. Em outubro do ano passado, quando saía da escola, a adolescente foi abordada dentro de um ônibus por homens armados que perguntavam por ela. Um deles atirou em sua cabeça e a bala atravessou seu pescoço, alojando-se na região do ombro, quase colocando fim a sua breve vida. Os autores do atentado pertencem a um grupo talibã, que a persegue por ser uma ativista que defende o direito das mulheres à educação.

Entre 2008 e 2009, os talibãs dominaram sua cidade natal, Mingora, no vale de Swat, no noroeste do Paquistão, com atos de extrema violência. Entre as determinações impostas, estava proibição de mulheres em escolas. Na época, a garota, com apenas 11 anos, criou um blog onde contava o horror da vida das pequenas estudantes que resistiam à imposição talibã e frequentavam as aulas sem uniformes e com livros escondidos. “Eu não me importo de sentar no chão da escola. Tudo o que eu quero é ter educação. E eu não tenho medo de ninguém”, dizia em seu blog. Os textos eram veiculados no site da BBC Urdu (rede de comunicação britânica no Oriente Médio) e acabaram chamando a atenção dos fundamentalistas islâmicos que acreditaram que a garota era uma traidora e estava fazendo propaganda da cultura ocidental. Mesmo escrevendo sob pseudônimo, Malala acabou sendo descoberta e sofrendo a represália. Após o atentado, recebeu tratamento em um hospital na Grã-Bretanha, onde teve parte do crânio reconstituído com uma placa de titânio.

Em seu último discurso, que aconteceu na Assembleia de Jovens da ONU, no mesmo dia em que completou 16 anos, a adolescente fez um apelo aos “dirigentes mundiais para mudarem de estratégia política, para promoverem a paz e a prosperidade”. Pediu esforços globais para que todas as crianças tenham acesso à escola e, demonstrando toda a grandiosidade de sua alma de menina, usou palavras que transbordaram tolerância. “Não estou aqui para falar de vingança pessoal contra o talibã, (…) estou aqui para defender o direito à educação para todas as crianças. (…) Vamos pegar nossos livros e canetas. Eles são nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo. A educação é a única solução”. No final do discurso, Malala foi aplaudida durante um longo tempo. O ex-primeiro-ministro britânico e enviado especial da ONU para a educação, Gordon Brown, chegou a chamá-la de “a garota mais corajosa do mundo”.

As memórias da menina que, na idade em que a maioria ainda brinca de boneca, já era símbolo de resistência ao machismo e da luta pela educação, serão publicadas em setembro deste ano. “Espero que este livro atinja as pessoas em todo o mundo, de modo que elas percebam o quanto é difícil para algumas crianças ter acesso à educação. Quero que ele seja parte de uma campanha para dar a cada menino e menina o direito de ir à escola. Esse é um direito básico”, afirmou. O livro deve se chamar “Eu sou Malala”.

Atualmente, a jovem frequenta uma escola em Birmingham, na Inglaterra. Desde o atentado, foi homenageada com diversos prêmios e é a pessoa mais nova a ser indicada para o Prêmio Nobel da Paz. O pai da adolescente, Ziauddin Yousafzai, ainda sonha em poder voltar ao Paquistão “Todos os nossos sacrifícios, incluindo os meus pessoais e esse ataque à minha filha, não teriam o propósito barato de querer sair para morar o resto da vida em qualquer outro país”, disse em uma entrevista à televisão paquistanesa. Segundo a agência cultural da ONU, Unesco, o Paquistão possui 5 milhões de crianças fora da escola, sendo que a maioria desse número é de meninas. Mas, se depender da “garota mais corajosa do mundo”, essa realidade não deverá durar muito tempo. Quem ainda não acredita nos super-poderes de Malala, que espere para ver seus próximos passos. Conforme ela mesma declarou, sua força só aumenta a cada dia: “pensavam que uma bala nos reduziria ao silêncio mas falharam (…) do silêncio saíram milhares de vozes” .

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