17 mai - 2013

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O preconceito que aparece nas universidades e o contrafluxo

O preconceito que aparece nas universidades e o contrafluxo

Não é de hoje que mulheres no mundo inteiro sofem preconceito por conta da roupa que escolhem usar. No Brasil, é muito comum as representantes do gênero feminino serem taxadas de “vagabundas”, “mulheres fáceis”, “vadias” e outros sinônimos quando resolvem vestir-se com minissaias, roupas justas ou decotes. Infelizmente, o machismo é uma presença forte na nossa cultura e, na semana passada, foi a vez de um jovem estudante de moda sentir na pele a discriminação e a intolerância por conta de uma simples peça de roupa.

Vítor Pereira (de saia amarela) desfila com os colegas
(Foto: Sérgio Castro/Estadão Conteúdo)

Tudo aconteceu quando Vitor Pereira, de 20 anos, calouro da USP, resolveu vestir-se com uma saia xadrez e coturnos para frequentar as aulas. Recém chegado ao curso, o estudante, que acredita que a moda transcende gêneros,  recebeu ameaças anônimas três dias depois, pelo Facebook. A faculdade pública, que deveria ser um local formador de profissionais preparados para lidar com a diversidade, tornou-se mais um palco para a disseminação do preconceito. No mês de março, durante um trote organizado por veteranos da USP São Carlos, alunos ficaram pelados e fizeram gestos obscenos para hostilizar um grupo de mulheres que protestavam contra o “Miss Bixete”, espécie de concurso de beleza a que as calouras são submetidas, dizendo provocações como “isso aqui é para corrigir esse bando de viado e sapatão”. Os dois casos podem parecer diferentes, mas têm em comum a opressão e  a intolerância contra o diferente, além de traços de homofobia.

Indo contra essa corrente, um grupo de universitários resolveu ser solidário ao caso do estudante de moda de São Paulo e realizou um protesto nesta quinta-feira (16). O ato “USP de saia”, oi “Saiaço” ocorreu no campus da Cidade Universitária, na Zona Oeste de São Paulo. Nesse dia, estudantes do tradicional curso de Direito da USP trocaram o terno e gravata por saias, tops e vestidos. As mulheres também participaram usando gravatas e peças de roupa típicas do vestuário masculino. O ato teve adesão de outros campi da USP, como o da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, USP Leste, Ribeirão Preto e até mesmo de São Carlos.

Homens e mulheres participaram do ‘saiaço’ na USP
(foto: G1)

Os organizadores do evento afirmaram que já se reúnem há algum tempo em grupos que visam debater e combater a discriminação, como é o caso da Frente GLBTT. O objetivo desse tipo de grupo é ampliar a discussão e a reflexão sobre as questões do gênero, não só em relação às roupas, mas aos papéis sociais atribuídos aos gêneros como um todo. Eles também afirmam que “o caso do estudante da EACH foi apenas um dos muitos atos de repressão impostos àqueles que desejam quebrar padrões”. Esse tipo de manifestação é extremamente importante para que atos homofóbicos, sexistas e machistas passem a ser gradualmente extintos de nossa cultura. A universidade deve ser um núcleo de formação e preparação de cidadãos de bem e não o oposto disso.

Infelizmente, no caso de São Carlos, a cultura da opressão ainda está longe de ter um fim. Os estudantes acusados de atos obcenos deverão apenas prestar 30 horas de serviços comunitários para evitar um processo criminal. O universitário Rafael Campanari, um dos organizadores do ‘Miss Bixete’, condenou a atitude dos estudantes, mas defendeu o evento. “Ninguém é forçada a participar, as garotas que sobem no palco e desfilam estão lá porque querem, gostam de ouvir assovios e ser aplaudidas”. Será?

 

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