25 mar - 2013

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A São Paulo Fashion Week e os escravos da moda

A São Paulo Fashion Week e os escravos da moda

Na semana em que aconteceu o evento de moda mais badalado do Brasil, a São Paulo Fashion Week, o Ministério do Trabalho encontrou um grupo de 29 costureiros bolivianos trabalhando em condições análogas à escravidão, em uma confecção localizada na Zona Leste de São Paulo. Os bolivianos trabalhavam até 13 horas por dia, moravam na oficina clandestina, sem água potável, acumulando dívidas referentes a alimentação, moradia, transporte e visto para entrar no Brasil. Eles recebiam de R$ 0,80 a R$ 4,50 por peça produzida.

29 costureiros bolivianos trabalhavam em condições análogas à escravidão

A confeccção fazia peças para uma fornecedora contratada pelo grupo GEP, responsável pelas marcas Emme,  Luigi Bertolli e pela Cori, que se apresentou no SPFW na última segunda-feira. O grupo também é representante da grife internacional GAP, no Brasil. Essa descoberta nos leva mais uma vez a refletir sobre a cultura do consumo desenfreado, os preços exorbitantes das roupas de grife e o mundo de exploração que existe por trás de todo o glamour das passarelas.

Desfile da Cori na SPFW , dia 18/03/2013

Uma matéria publicada pela TV folha, no último domingo, faz um paralelo bem interessante entre a mão de obra escrava e os aficionados pela moda que frequentam o São Paulo Fashion Week, os “fashion victims”, que compram compulsivamente e usam tudo o que é lançado, beirando muitas vezes o ridículo. Merece destaque uma entrevista com a consultora de moda Gloria Kalil, que deixa a entender que o trabalho escravo na China “pode”. “As marcas maiores, de mais evidência, evidentemente que não vão, nem podem dar uma marcada dessas. Só na China, mas na China pode. Pela legislação, pode”, comenta Gloria.

 

É claro que não temos como saber a origem de todas as roupas que pretendemos comprar, e, pelo depoimento da Gloria Kalil, já dá para ter uma noção de que muitas grifes consideram normal a exploração de seres humanos, desde que não contrariem a legislação do país.  No entanto, é importante que fiquemos antenadas a esse tipo de denúncia. Dentro de nosso sistema, a melhor forma de protestar contra uma empresa é deixar de consumir seus produtos, além de tentar fazer com que as informações cheguem ao maior número de pessoas possível.

Ou, indo um pouco mais fundo, devemos também repensar nosso consumo por impulso e nossas necessidades reais, de uma forma mais ampla, se não quisermos financiar a escravidão, nem nos tornar escravas da moda. Toda mulher gosta de andar bonita, antenada com as tendências, mas não é por isso que precisamos atulhar nosso guarda roupa com peças novas a cada estação. Existe um conceito de moda sustentável, onde aprendemos que é possível customizar e reaproveitar peças antigas, comprar mais peças coringas, usar acessórios, frequentar mais brechós e cultivar mais o estilo próprio. Pense nisso! ;)

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