21 fev - 2013

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Facebook ou Fakebook? As mentiras contadas na internet e o site Namorofake

Facebook ou Fakebook? As mentiras contadas na internet e o site Namorofake

Não é de hoje que a internet é usada para maquiar a realidade e transformá-la em um mundo paralelo onde as pessoas são mais bonitas, bem sucedidas, ricas, inteligentes, cultas e felizes do que realmente são. Quem usa rede social não pode negar que é comum escolher a foto mais bonita para colocar no perfil e, algumas vezes, até usar os recursos dos filtros de imagens para favorecê-la com cores e luzes que façam com que a gente pareça mais atraente. E quem é que nunca pediu para um amigo tirar do ar uma foto em que o ângulo da câmera desfavorecia a silhueta, deixando à mostra uma barriguinha indesejada ou uma careta esquisita? Aposto que 8 em cada 10 mulheres que usam facebook, twitter e afins sabem do que estamos falando.

Querer valorizar a própria imagem é bastante normal nesse mundo extremamente competitivo em que vivemos. O problema é quando o “filtro” extrapola os limites do aceitável e acaba prejudicando a vida real. Não faltam por aí relatos de casos de pessoas que se conheceram primeiro na internet, criaram uma expectativa enorme sobre alguém e, depois, ao se depararem com os indivíduos da vida real, tiveram uma grande decepção. E não estamos falando apenas de estética. Tem gente por aí que fala que pratica esportes que nunca teve coragem de experimentar, que já viajou para lugares apenas sonhados, que estudou em lugares fantásticos, leu livros de intelectuais e conheceu pessoas que jamais passaram por suas vidas.

Essa brincadeira de fingir uma vida imaginária já chegou a tal ponto que existe atualmente gente ganhando dinheiro com isso. O exemplo mais curioso e comentado nos últimos tempos é o site namorofake.com.br, que permite ao usuário contratar uma namorada virtual que promete postar mensagens aos solitários do Facebook. Os valores variam de R$ 10,00 para uma ficante, que posta 3 comentários em 3 dias, a R$ 99,00 para uma namorada virtual, que simulará posts de uma verdadeira amada na página do contratante, por um mês inteiro. O usuário, na verdade, não terá nenhum contato com a namorada fake, apenas escolherá as postagens que ela colocará em seu perfil, simulando uma situação real.

Atualmente, o site apresenta em sua página principal a mensagem de que todos os perfis de namoradas fakes já estão ocupados, o que sugere que o negócio está fazendo sucesso. Atualmente, só é dirigido ao público masculino, mas o criador do site, Flávio Estevam, disse em entrevista ao portal G1, que pretende, em breve, oferecer perfis também para o público feminino. Ainda segundo o criador, os usuários do serviço são pessoas que querem fazer ciúmes para ex-namoradas ou que pretendem melhorar a imagem de homem conquistador junto aos amigos e às pretendentes.

Esse estranho comportamento que está se tornando cada vez mais comum nos leva a várias reflexões: até que ponto a brincadeira extrapola o limite do razoável e passa a ser uma fuga na vida de solitários que buscam reconhecimento nas mídias sociais, deixando de procurar as alegrias mais palpáveis, que só podem ser experimentadas quando vividas através do contato direto com pessoas? É saudável deixar de viver a própria realidade para criar e alimentar um mundo de fantasias e mentiras? Estamos aceitando que as aparências realmente valem mais do que qualquer outra coisa e não importa mais o que você é e sim como as pessoas te enxergam? Explorar as fragilidades alheias, mentir, enganar, tornou-se mesmo tão banal? Por que a alegria é tão supervalorizada se, na verdade, todo mundo tem remela, já se sentiu um pouco tolo, meio sozinho e aprendeu a ser melhor e mais forte depois de se levantar de um grande tombo?

E você, o que acha disso tudo?

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