30 out - 2012

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O polêmico comercial da Marisa

O polêmico comercial da Marisa

No começo do mês de outubro, a rede de lojas de varejo Marisa, especializada em moda feminina e moda íntima, lançou um comercial que levanta novamente algumas questões polêmicas e coloca em foco os critérios de ética das propagandas veiculadas em nosso país.

Aparentemente inocente, o vídeo mostra uma jovem que faz um discurso de agradecimento a pepinos, cenouras, leguminosas e sopas ralas que, segundo o comercial, fizeram suas refeições menos alegres, mas que farão seu verão mais feliz. O texto termina com uma frase de teor moral bastante duvidoso: “Tudo vale a pena para viver bem o verão”.

A propaganda pretende ser engraçada, mas peca feio quando contextualizada numa sociedade que convive com os males causados pelos distúrbios alimentares, estimulados constantemente por um ideal de beleza onde a magreza excessiva é vista como objeto de desejo e sinônimo de felicidade.

Na semana passada, um grupo de ativistas de Tocantins fez um protesto em frente a uma das filiais da loja, com cartazes que continham os seguintes dizeres: “Vou pelada mas não vou de Marisa”. Também estão agendados para os dias 4, 11, 18 e 19 de novembro, mais protestos, na cidade do Rio de Janeiro.  Como não poderia deixar de ser, o movimento já atingiu as redes sociais.

Não é a primeira vez que uma propaganda fica na mira de quem defende a ética na publicidade. Em setembro do ano passado, publicamos aqui, no blog A Mulher, um post sobre a campanha da Hope que foi acusada de reforçar os estereótipos de que mulheres dirigem mal, não sabem lidar com o dinheiro e podem resolver esses ‘pontos fracos’ explorando sua sexualidade.

 

Já no caso do comercial da Marisa, os assuntos que devem ser vistos com um olhar mais crítico são:

  1. Uma alimentação saudável não deve nunca ser associada a algo que prive uma pessoa do prazer de se alimentar. Essa é a ideia errônea das dietas restritivas que causam danos à saúde;
  2. Magreza não é sinônimo de felicidade;
  3. O culto à magreza e ao corpo perfeito coloca mais uma vez a mulher como um produto a ser moldado conforme os padrões da sociedade;
  4. A busca por um ideal de magreza “a qualquer custo” pode ser muito perigosa, principalmente no que diz respeito à saúde. Muitos distúrbios alimentares como a anorexia e a bulimia partem deste princípio.
  5. O simples uso da expressão “a qualquer custo”, em qualquer contexto, deve ser feito de forma bastante responsável, se é que isso é possível, já que fazer alguma coisa “a qualquer custo” significa deixar de lado ou passar por cima de valores e questões que podem ser de extrema relevância.

E você, o que acha do comercial? Confira o vídeo abaixo e dê sua opinião!

  1. Raphael Marchetti disse:

    Olá!
    Claro que todas as objeções têm coerência e fazem todo sentido. Acho muito bom que estejam discutindo esta questão… agora… qual a diferença disso e de praticamente todo o resto veiculado para as mulheres no Brasil?

    Nenhuma!

    Tirando a campanha da Real Beleza da Avon (que é genial), todo resto é mais do mesmo, assim como esta campanha da Marisa.

    Na minha opinião esta responsabilidade se dá para com as consumidoras, as mulheres, que se deixam escravizar, que tem a auto estima baixa, que em muitos casos perderam completamente a identidade, esqueceram seu valor.

    De qualquer forma, vejo que a agência escolheu uma péssima narrativa, pois segmentou tanto o target (as super magras raras de se ver que se sentirão bem com essa campanha), que vão vender bem pouquinho esse verão.

    Quanto às mulheres: se virem negas! Ou emagreçam até o palito, ou acordem!

  2. Neusa Biazin disse:

    Tem gente q não tem mesmo o q fazer e procura ” pêlo em ovo” . Tanta coisa grave acontecendo por ai, e vcs preocupados com a propaganda das lojas Marisa! Não foi dito q a moçca só comeu pepino, alface e cenoura e mais NADA. Tudo bem q infelismente, valorizam só o orpinho magro, mas dai a culpar a loja, a propaganda !!!! Me poupem!

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