4 nov - 2011

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Princesas, “gatas borralheiras” e magrelas

Princesas, “gatas borralheiras” e magrelas

Tem uma piadinha circulando pela internet que diz que se engana aquele que pensa que o desejo de toda mulher é encontrar um grande amor porque, o que todas querem, mesmo, é ser consideradas magras. Concordamos apenas em parte. Não no que diz respeito a encontrar o grande amor, pois sobre esse assunto a gente aprende cedo que trata-se de uma grande embromação, que empurram pra gente goela abaixo, quando somos ainda meninas, ouvindo as histórias dos contos de fada. Depois, quando nos tornamos adolescentes e descobrimos que o príncipe encantado não vai chegar no cavalo branco para nos salvar, ficamos frustradas e nos sentindo estranhas, “gatas borralheiras” fora do padrão, até percebermos que, na verdade, fomos enganadas, tanto quanto nas noites de natal em que nos fizeram acreditar no velho barbudo de roupa vermelha que desceria pela chaminé para nos deixar presentes se fôssemos boas garotas. Não, não é esse o motivo de não concordarmos totalmente com a piada.

A verdade é que, por incrível que possa parecer, nem toda mulher busca os famosos 4 quilinhos a menos, algumas estão sim, satisfeitas com o próprio corpo e com a saúde ótima. Infelizmente, sabemos que essas são a minoria, não porque existam muitas mulheres que realmente precisem emagrecer, mas porque a gente sempre tem a tendência a querer alcançar um novo ideal, para dar um pouco de drama e emoção pras nossas vidas… Essa busca é até saudável quando não extrapola os limites de respeito com a nossa individualidade.

A gente sempre vai querer ser a protagonista da história (na maioria das vezes não tão fantástica), da nossa vida… Isso é tão inevitável quanto benéfico, pois é uma prova de que damos valor à existência. Mas não podemos confundir felicidade pessoal com padrões pré-estabelecidos socialmente, cujos objetivos reais são meramente comerciais. Essa busca pela magreza tornou-se uma espécie de senso comum sobre o que é felicidade para uma mulher. Atenção, mulherada! Vamos abrir os olhos para não sermos novamente enganadas. Dessa vez, não pela existência de um ser fictício, mas de um ideal inatingível. Porque se quando somos pequenas acreditamos no príncipe, com o passar do tempo, só mudamos o foco.

Ninguém é feliz de verdade só por ser portadora de um corpo magro, às vezes beirando ao esquálido. Muito pelo contrário, os consultórios psiquiátricos estão cheios de magrelas em busca de pílulas que prometem preencher o vazio que carregam dentro de si. Somos totalmente a favor da ideia que a gente tem que se amar, se cuidar, tentar ficar mais bonita, sim. Mas isso tem que acontecer de uma forma saudável, sem agressões às características únicas que cada uma de nós carrega. A gente se acostumou tanto ao estilo de vida baseado no consumo, aos produtos industrializados, sempre parecidos, que acabamos nos confundindo e achando que também temos que seguir um padrão. Achamos que precisamos ser iguais às modelos das revistas. Só que a mulher estampada na foto, não é a mulher verdadeira… ela é só um esteriótipo, quase um produto tentando vender outro.

Se você parar e prestar atenção, perceberá que na natureza, por exemplo, as coisas que são mais bonitas, não seguem padrões, são incomuns. No mundo das artes plásticas também é assim. A beleza é muito mais valiosa quando foge do comum. Do mesmo jeito que a gente aprende que os príncipes não existem, mas sim homens de carne e osso com defeitos e qualidades que podem ser companheiros e nos ajudar a crescer, está na hora de aprender que a magreza em excesso não vai proporcionar a felicidade a ninguém.

É claro que não existe fórmula para alcançar a felicidade, a maioria dos pensadores defende que o que importa é o caminho que percorremos tentando alcançá-la. Sendo assim, o que podemos fazer é tentar tornar nossa caminhada mais divertida e aprender a gostar e valorizar o que temos de melhor. Fazer exercícios, se cuidar, ter uma alimentação saudável, investir em um novo corte de cabelo ou um belo vestido, assistir filmes diferentes, ter sempre um livro na cabeceira da sua cama, ter amigos, conversar, sair, amar… são algumas das experiências que toda mulher merece ter na vida. Esses atos podem não levar à felicidade plena, mas farão com que seus dias sejam mais leves e agradáveis, a ponto da busca pelos 4 quilos a menos não ser tão importante assim.

  1. Muito bom o texto… o mundo e a moda não são muito justos com as moças mais soft’s e também não são justos com as moças magras, o mundo está sempre nos exigindo algo inalcansável, o bom da vida é viver pra nos corresponder, ai está a satisfação, excetuando algumas formalidades que são inevitáveis, e certos protocolos, nada nos impede de ser feliz, a não ser, nós mesmas.
    Abç

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